Situação Atual

Conquanto explicitamente haja evidentes mandatos da Santa Madre Igreja acerca da música a ser utilizada na liturgia, em todo o mundo observa-se um “empobrecimento” litúrgico, em especial no tocante à música sacra. O Cardeal Joseph Ratzinger já comentava sobre isso antes de seu pontificado e, enquanto esteve na direção da Barca de Pedro, procurou inspirar no clero e em todo o povo fiel um resgate da liturgia – e, por conseguinte, da música – para torná-la a mais sacra possível.

No Brasil, a situação não é diferente. É frugal, infelizmente, constatar celebrações em locais importantes (como catedrais e santuários) onde a Santa Missa é celebrada longe daquilo que pede a Santa Igreja e, em especial, a música sendo executada de maneira assaz inadequada, estilos musicais alheios ao espírito litúrgico e instrumentos da música profana ganham um espaço crescente. São essas celebrações as que acabam por tornar-se exemplos para amiudadas dioceses e comunidades do país, alastrando-se, destarte, os abusos litúrgicos e afastando-se exponencialmente da música veramente sacra.

Para compreendermos as raízes desse problema, precisamos recordar o impulso por mudanças que acompanharam a Reforma Litúrgica após a publicação do Missal do Beato Papa Paulo VI, em 1.969, como resposta aos anseios de bispos de diversas partes do mundo no Concílio Vaticano II. Houve um infeliz movimento – por parte dalgumas pessoas – o qual promoveu uma ruptura com o passado, com a riqueza musical e artística da Igreja de todos os séculos anteriores e até mesmo das tradições da Igreja, para se criar algo “adequado ao mundo moderno”. Não obstante, isso não se sustenta no Magistério da Igreja, pois os próprios documentos do Concílio salientam uma clara continuidade, como já exemplificamos a priori. E, naquela época em que a velocidade de informação não era imediata tal qual é a hodierna, desafortunadamente tal impulso renovador teve grande força e seus efeitos foram sentidos por toda parte.

Notou-se, conseguintemente, um gradual depauperamento das melodias, dos arranjos, do texto sagrado; em bastantes lugares, os textos sagrados do Ordinário da Missa foram substituídos pela criatividade de seus autores, o órgão foi praticamente desusado e instrumentos próprios da música popular – violão, piano, guitarra e instrumentos de percussão, como a bateria – foram introduzidos.

Tudo isso foi visto com preocupação pela Igreja e os papas seguintes esforçaram-se em revertê-la para que houvesse um retorno ao que a Igreja deseja. São João Paulo II, como vimos, escreve seu Quirógrafo em 2.003, traçando um paralelo entre o Motu Proprio de São Pio X e a Sacrosanctum Concilium. O Papa Bento XVI, durante seu pontificado, muito lutou por aquilo que chamava a Hermenêutica da Continuidade, mostrando com exemplos e palavras que a liturgia da Igreja não sofrera uma ruptura, mas continuava com o mesmo sentido de sempre, os mesmos símbolos e a mesma música. Até o presente momento, o Papa Francisco não se manifestou sobre a questão musical especificamente, porém declarou em 24 de Agosto de 2.017 que devemos “superar leituras infundadas e superficiais, recepções parciais e práticas que desfiguram” a Reforma Litúrgica.

Em suma, é evidente que a música sacra não vem sendo promovida da maneira como a Igreja Católica em seu santo Magistério deseja, apesar dos anseios de todos os Papas para que assim se cumpra.

© 2018 - Movimento Cecilianista do Brasil.

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